...ecos na esquina...


a gente faz de tudo: Jornalismo
mas nada faz sentido: Teatro
seguir viagem: Itália
tenho discos e livros: Engenheiros do Hawaii
"Depois daquela viagem", Valéria Piassa Polizzi
"Sem asas ao amanhecer", Luciana Scotti
"Harry Potter", J.K. Rowling
muito prazer, meu nome é: Louise Emille



25/12/2008 19:09
Canso
Canso, mas por tudo o que vivo não descanso um só minuto. De saber tudo isso e de saber que não sei é tudo o que posso repetir e repetir e repetir. Canso dessa vida e de saber que não é vida aquilo que vivo, de saber que posso cair e nem mais levantar. Canso disso tudo e sei que, assim, não posso cansar nem um minuto sequer. Espero na calçada, chove muito, cada vez mais e a vida vai se acumulando em uma poça. Canso mas espero, espero viver em outro lugar e no escuro descanso. Fecho os olhos, peço para o mundo parar de girar. Canso e assim descanso, não peço o nome, só peço por favor. Escolho não viver e, vivendo, escolho sumir. A chuva parou. Todas as poças vieram e continuam vivendo. Ouço lá fora gritos, falas mais altas que meus pensamentos. E cansada, peço perdão aos que não me têm. Aqueles olhares intranqüilos que me fazem chorar cada dia mais, cada vez mais, cada momento mais, e mais, e mais, e mais. Espero. Não tenho choro acumulado e, por isso, não choro. Escuto mais ruídos e peço que se calem! QUE SE CALEM TODOS VOCÊS!!! Canso. Canso. Canso.


Louise Emille - 25/12/1987 - 19h08
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



18/09/2008 15:39
Penso

Penso no sono
Sono que tenho
Ando a cantar
Perco pistas

Penso na vida
Vivo a andar
Escuto os barulhos
Dou passos ao léu

Penso na história
Sei que ela acaba
Um dia, outro dia
Tudo se transforma

Louise Emille - 10/09/2008 - 8h58


Louise Emille | beijos pra torcida (0)



11/09/2008 10:54
Saudosismo

Se eu pudesse voltar à infância, aquela, que os anos não trazem mais, traria os anos perdidos, os dias não vividos, as mágoas não resolvidas. Resolveria cada momento, reviveria cada lamento, pediria a deus só mais um instante, mesmo que, em seguida, se acabasse. Se pudesse reviver os segundos, sentir os minutos, perder as horas que esperei para, então, sorrir, reviveria; sentiria; perderia. Se eu pudesse trocar meu nome, chamaria Felicidade, esboçaria sorrisos cheios de esperança, entoaria cantos pelos cantos. Leria livros chatos, livros ruins, nasceria antes para ter mais tempo de aproveitar as criações do homem e da natureza. Acreditaria menos em deus, por mais tempo. Viveria pelos lugares acreditando na fé. Teria certeza de que, mais para a frente, isso fará falta. E, principalmente, se eu pudesse voltar à infância, teria certo em meus pensamentos que, aos 20 anos, eu lamentaria cada minuto perdido no orgulho.

Louise Emille - 10/03/2008 - 19h22


Louise Emille | beijos pra torcida (0)



31/07/2008 13:20

Se houvesse um lugar no mundo destinado somente aos amigos, àquelas pessoas totalmente especiais e que a gente tem certeza que serão pra sempre, mesmo que utopicamente falando, eu teria um lugar pequeno como eu. Colocaria, talvez, três ou quatro pessoas, aquelas que não se importam com distância, com preço, com humor: estão ali. Independente de você odiá-las, de decepcioná-las, de tentar comprá-las, de fazê-las de gato e sapato. Elas estão ali.

São aquelas pessoas que imploram por perdão mesmo quando têm certeza de que não estão erradas, choram quando vêem alguém sentindo dor, têm uma sensibilidade além do comum, mesmo que não mostrem o tempo todo, ou sempre.

Se eu tivesse um espaço para aqueles designados como "amigos para sempre", esse espaço seria pequeno como eu. Teria um quê de saudade, umas pegadas invisíveis, de gente que deixou o espaço e nunca mais voltou. De pessoas que, um dia, eu acreditei, tive fé, tive toda a certeza do meu coração de que estariam ali, se eu me mudasse, se eu tivesse doenças, se eu sofresse um acidente, se eu fosse internada num hospício.

Se eu tivesse esse espaço, ele seria cheio de pegadas. Mas teria poucas pessoas. Não teria grades, pois não obrigaria ninguém a estar nele. Mas ainda assim, uns poucos, três ou quatro, permaneceriam ali até o fim. Mas as pegadas estariam ali para sempre, mais do que o para sempre dessas pessoas, pois essas pegadas são feitas de sangue. Marcam o chão de maneira definitiva. E quanto mais eu olhasse para essas pegadas, maior seria minha loucura, minha depressão, minha certeza de que nunca mais poderei ter certeza de que alguém permaneceria do meu lado para sempre.

Se eu tivesse esse espaço, pediria licença para as pessoas que o ocupassem, aquelas três ou quatro. Pediria que deixassem o espaço, marcando suas pegadas com sangue, como as outras. Dispensaria-as, mesmo que insistissem em ficar. Eu entraria nesse espaço, pediria perdão a todos, me contaminaria com o sangue de cada um e deixaria no lugar uma gota do meu sangue em cada pegada. Choraria até derreter. E, mais uma vez, pediria perdão àqueles que insistiram. Faria com que os donos daquelas pegadas batessem palmas, por terem acertado e não terem confiado em mim, essa que vos fala.

Se eu tivesse esse espaço, faria com que ele não existisse mais. Para eu não viver com tanta amargura por aqueles que acreditei um dia ficarem ao meu lado para sempre. Essa amargura que aumenta a cada dia, a cada palavra seca, que transborda raiva, ódio, desgosto.

Essas palavras que são enfiadas no meu coração cada vez que tento reverter uma amizade.
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



30/07/2008 11:49
10 coisas que odeio em você
Odeio o tipo de artista que você é. Odeio o tipo de música que você ouve e o estilo de vida que você tem. Odeio seu jeito elitista de ser e odeio mais ainda quando diz que é pobre. Odeio quando você fala mal de coisas que eu gosto e quando liga em casa, me acordando após um dia chato e massante no trabalho. Odeio sua preguiça em me ajudar, odeio não ter incentivo nenhum seu e odeio, mais que tudo, não pensar em ligar pra você quando estou mal.
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



23/07/2008 10:36
estranheza

Peço perdão àqueles que me feriram
Imploro palavras de um mendigo sujo
Choro, grito, arranco minhas mãos
Meus pulsos silenciam, já não sou eu quem está aqui

Volto, mas não totalmente
Entreguei-me ao desespero
Covarde! sei que sou
Tornei-me vampiro derretendo no sol

Uma pontada no estômago lembra-me de que ainda vivo
Mas viver ou não viver já não importa mais
Socorro! volto mais uma vez
Aos poucos, o mundo vai sumindo de mim.


Louise Emille - 23/07/2008 10h35
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



03/06/2008 11:16
E eu pensei...
...se vale a pena tudo o que a gente vive só pra morrer no fim. Não que eu queira morrer, mas a gente corre tanto atrás dos sonhos, ajuda tanta gente, faz muito mais do que deveria - sem pensar que está fazendo mais do que deveria - e mesmo assim, caem de pau em cima da gente, atrasam nossa vida, pisam na nossa mão com um salto fino. E tudo isso passa, mas nossas frustrações, nossos traumas dificilmente passam...

Será que vale a pena tudo isso só pra morrer no fim?
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



06/05/2008 14:41
"quem sou eu:"
nasci, cresci, vivi e morri.
não necessariamente nessa ordem.
Louise Emille | beijos pra torcida (0)



15/04/2008 13:34
Lar, doce lar
Segundo alguns, sou uma pessoa doente, com poder de influenciar os outros e grossa.
Segundo outros, sou simpática, frágil e meiga.
Segundo mim mesma [e segundo o Pato Fu também], "olha, eu não sou daqui. Me diga onde estou. Porque sempre parto antes de gostar de ser igual a qualquer um."

Informações sobre mim [ou "quem sou eu"]: não sou mais eu, mas também não sou mais qualquer um que não seja eu. Não sou pequena, nem sou grande: sou meio-termo, cansada do que é sempre igual. Mudo caminhos, refaço textos, altero palavras. Falo e falo de novo, mais uma vez, mas nunca chego à essência do que quero dizer. Decepciono e me decepciono - porque a vida é feita disso! Nem por isso choro, torço o nariz, nem por isso choro. Minha vida não nasceu de poesia, minha morte não vai ter rimas. Vivo enquanto me permitem, se um dia me matarem, que me matem: com palavras, com sentimentos, com ações. Não, eu não sei quem sou. Não me pergunte, NÃO SEI. Se eu não sei, nenhum dos que se aproximam ou se aproximaram algum dia sabe. Não sou mais do que ninguém, mas também não sou menos. Que me respeitem, mesmo com esses olhos verdes, mesmo com essa docilidade, mesmo com essas grosseiras palavras que saem de minha boca, que se tornam grosseiras a partir do momento em que sentem o ar bater, saindo de minha boca.

É por isso que provoco. Gosto de fazer surpresas, comprar presentes, mas só para quem faz por merecer. Não dou mais tanto valor a aniversários. Natal e Páscoa são datas de comer doce. Dou voltas no mundo, mas sempre termino no meu cantinho:

home, sweet home.
Louise Emille | beijos pra torcida (0)